Publicado por: Letícia Santanna em: 17 de Outubro de 2011
“Foda-se” é talvez a primeira coisa que você, adulto ocupado demais, pensa ao ler esta proposta insistente. Mas me pergunto por que rejeitamos convites para Farmville, Habbo e etc e transferimos regras inúteis do mundo virtual para a vida real.
Somos essencialmente exímios jogadores, todos sempre cheios de cartas na manga, em prontidão para abater um participante do game com um checkmate.
Nos relacionamentos, por mais que tenhamos assistido às comédias românticas mais instrutivas sobre não seguir regrinhas toscas, continuamos brincando com as emoções alheias. No entanto, como diria vovó: “Coração duzôto num é terra que se pise”.
E não estou aqui falando de decidir transar de 1ª ou esperar o mínimo de 5 encontros razoáveis para fazê-lo. Estou falando das mudanças climáticas que mínimas atitudes podem provocar em alguém. Ou não. É preciso saber ponderar-se e ao outro.
Estou falando é desses babacas casados que omitem essa informação das meninas que abordam… Dessas moças estúpidas que se oferecem de bom grado a 10 caras por minuto fazendo os poucos de boa índole que restam desaparecerem desiludidos da face da terra.
Quando se trata desse assunto, tenho vontade de voltar a ser crente, que é pra pedir a Deus que ponha em ação a lei da semeadura e dê a cada pecaminoso o prato que merece. Porque todas essas pilhas investidas que nós (nos) pregamos descarregarão um dia. E desejo que ainda valha neste tempo o discurso que usei na adolescência, que é ainda tão replicado por minhas alunas: “o galinha de hoje é o corno de amanhã”.
Já acabou a temporada dos jogos.
Aqui não tem nem poker face, porque sou negra, porém transparente.
Quer brincar? Sobre pro play de outrem.
Eu tô muito ocupada com sentimentos baseados em fatos reais.
Esses que atravancam meu caminho
Eles passarão
Eu passarinho
Quintana
Publicado por: Letícia Santanna em: 10 de Outubro de 2011
Sim. Somos um bicho estranho. Sangramos e não morremos. Brigamos enquanto amamos. Ocultamos sentimentos e insistimos nessa catalogação separatista de macho e fêmea… Mas há de se convir que em algum ponto ela é ponderável, uma vez que não vi um homem na face da terra acreditar com tanta força em amor a primeira vista, ou em qualquer possibilidade tão repentina de afeto.
Nesse dia, como em nenhum outro ela quis se esconder de tudo que havia amarrado a si até então. Queria se livrar dos lances errados, dos caras que pegava só por darem um bom trato, ou só por falarem coisas cults, da falta de vontade, do não desejo de fazer o sensato e da perda sutil de valores que vinha enfrentando.
Havia começado a se sentir outra. Reconhecera, portanto, que tudo são fases e que se entregar as efemeridades era uma muito breve.
Resolveu interromper o fluxo de homens na passarela do seu coração e se autoanalisar. Se redescobrir. Se olhar no espelho da verdade e entender até onde a experiência de ser leviana a tinha levado.
Encontrou alguém sacado das memórias imemoráveis. Alguém que não tinha visto de verdade, que só admirava longinquamente e resolveu testar o fruto tardio de cutucadas virtuais.
Depois de longas caminhadas em com-versas afinadas, sentaram-se. De frente estavam um para o outro quando os lábios resolveram fazer algo mais interessante que expelir palavras. Houve encaixe, química, chame do que quiser. Mas a sensação que ela teve foi de que nunca antes a expressão “lábios de mel” havia feito tanto sentido. Foram madrugadas percorridas em voz e vez de trocar a vida que passara fulgaz até aquele momento.
Torce pra resulte em bem. Que tudo que venha daí seja bônus do ônus que é viver.
Que seja fuga conjunta da conjuntura cotidiana.
Que seja, enfim, o concreto do que já pensava.
Que seja a prova de que um homem não é só falo. É fala.
Publicado por: Letícia Santanna em: 22 de Setembro de 2011
Ela estava no ponto como em outro dia qualquer de sua vida migrante. Antes surgira a dúvida de pegar o trem comprimido de suor dos trabalhadores, ou o ônibus gélido e caro. Decidira pela van, um meio termo. De preferência ilegal, com o cheiro de colônia de rosas das empregadas domésticas que se aprontam para o romance diário já na casa da patroa que não lhes fornece RioCard.
Ela se sentia excluída daquele meio. A vida de Baixada não lhe pertencia mais. Aos 17 se emancipara e viera ao Rio morar só só. Hoje mesmo voltava de uma viagem que havia feito pelo sudeste na companhia de uma amigos com o mero intuito de ver a vida.
Quem a vê percebe que por detrás da cara cômoda guarda um certo repúdio ao ambiente.
Ele saíra do trabalho mais cedo. Estava também cansado e doido pra chegar na terra dos homens queimados. Quando a viu no ponto notou suas tranças. Lhe perguntou seu endereço para confirmar um insight. E deu certo. Soube apontar mãe, pai e todo um histórico de vida da menina que também esperava condução e condições.
Quando a van chegou souberam encontrar gostos semelhantes. Em um instante compartilharam seus últimos lances que é pra deixar claro o estilo de cada um de viver a vida a dois. Encontraram no baú mental um amor por Legião Urbana concentrado principalmente sobre Vento no Litoral e o casal que ali formavam – Eduardo e Mônica. Porque sim, era como se ele fosse o proletariado inteiro querendo abater a pequena burguesia.
Em seu destino final ela foi convidada por ele a comer um podrão na praça Nossa Senhora da Conceição. Aceitou e se despediu ali mesmo do menino que não tinha celular. Descia a passarela entreolhada por todos. Pois admirados estavam de seu “sorriso-acabei-de-encontrar-o-homem-da-minha-vida”. Mas tinha um pedaço de frustração por imaginar que nunca mais o iria rever. Pedaço esse que se quebrou quando seu ombro foi tocado por ele para informar que a distância a essa hora poderia ser fatal. Era preciso dar continuidade ao que deixaram no ar.
Aquele dia se encerrou sem beijo ou palavras mais profundas. Mas no seguinte ela colecionava suas ligações de orelhões espalhados pelo Rio. Até mensagem recebeu do celular de amiga do indivíduo. Era tudo novo e com cheiro de passageiro. Ambos sabiam disso, mas não entendiam o porque. Deixaram-se viver.
A noite chegou e ela ainda em Queimados foi ao teatro. Informado que estava sobre o acontecimento de um sarau na cidade ele também resolveu dar luz à sua alma. Disse no final que foi iluminado pela sua beleza e não pelas palavras do autor. E isso foi suficiente para que ela aceitasse o novo convite para um sorvete na Praça dos Eucaliptos.
Sua mãe espiava tudo por trás da coxia, ficou desesperada, afinal, tratava-se de um ex-aluno que lembrava ser desordeiro e de hábitos escolares um tanto quanto opostos ao de sua filha.
Ele sentiu tudo isso no ar e se desculpou por ser quem era. Um pobre mecânico sem tantas chances na vida, com um passado presente nas mãos o apunhalando, exigindo compromissos. Sim, ele tinha uma filha e talvez o fato de ter dito isso nas primeiras 10 palavras com tanto afeto a fez ficar bestializada pela honestidade e apaixonada pelo seu caráter.
Ela fingiu não se importar tanto com as diferenças gritantes e depois de 1 hora de conversa fora sobre assembleias de Deus e afins, foram embora por uma rua mais deserta de onde sabiam que não viria ninguém. Foi assim, parado na esquina, que no segundo dia ele lhe fez o primeiro pedido com a boca, conotativo e denotativo. Era o beijo mais sedutor que ela havia experimentado. Cheio de vontade própria e fome dos famintos subalternos renegados, ele lhe abriu os olhos para enxergar o grito de amor dos excluídos.
Ao despedir-se sua vida foi diferente.
Foi para a estação de trem na manhã seguinte vendo tudo de outra forma. Óculos de uma Poliana safada lhe caíram sobre a face:
Como seria beijar aquele moto taxi? Será que ele tem freios nas mãos ou são bobas mesmo?
E o farmacêutico da esquina que tantas vezes havia visto seu bumbum ainda informe. Agora saberia apreciá-lo sem o intuito de aplicar injeção?
Como seria estar com aquele trocador do ônibus Jaceruba, acostumado a lidar com tantos solavancos na estrada da vida?
De repente a vida lhe fez sentido berrando que homem não falta no mundo. No trem, por exemplo, o vendedor de bala Halls deve ter a boca bem refrescante, não?! E ela o conhecia há tantas estações… Nem seria tão errado.
Quando chegou em Deodoro pensou nos militares que havia desejado durante a adolescência. Todos por uma questão de pose e não farda. Avistou ao longe um guarda da supervia e por ele sentiu o mesmo…
Na Central do Brasil do coração seu telefone tocou. Era mais uma vez o orelhudo num orelhão, agora de Ipanema, onde hoje prestava serviço. Contou que chegara atrasado no trabalho e não soube dar ao patrão a desculpa convencional da Dutra engarrafada. Era ela mesmo que ao penetrar seus pensamentos madrugais não o havia deixado sonhar dormindo. Só acordado.
Se encontraram mais tard
e e tudo o que posso dizer é que depois de terem feito um rápido passeio ao CCBB, que aceita visitantes maltrapilhos, e de terem avistado a lua nova nas areias democráticas de Copacabana, tiveram uma noite linda e inesperada onde comprovou-se que o sexo do mecânico não o é.
Publicado por: Letícia Santanna em: 15 de Agosto de 2011
Ontem fui visitar um amigo de longa data. Ele foi acometido de uma doença grave. Enquanto acreditávamos que o câncer de sua perna finalmente o havia o deixado, descobrimos que ele se movimentou e chegou a um órgão vital.
Há semanas me preparava para visitá-lo, afinal de contas, eu não sou a pessoa mais sensata para dar palavras a quem precisa, muito menos nesse estado.
Passei horas me perguntando o que dizer, pensando no que ele iria querer ouvir de mim e o quanto a minha postura de vida não serve de exemplo. Pensei muito na Juliana, minha amiga que morreu há dois anos da mesma doença sem que eu soubesse exatamente do que se tratava. Conforme atrasava a visita, já sentia o mesmo remorso. Não que eu esperasse a mesma coisa, mas que o temor da morte está sempre presente, está.
O fato é que nenhum segundo domingo de agosto é bom pra mim. Mas resolvi mascarar a saudade do desconhecido e enfrentar a verdadeira realidade dura da vida de alguém. Deixei meu eu e fui “pronta” pra um quadro mórbido.
Ao abrir o portão, para o meu grande espanto, este meu amigo me recebeu com um sorriso enorme. Colocou ele mesmo minha magrela pra dentro. Falou da vida. Sua e alheia. Mostrou a casa nova, divagou sonhos e mostrou uma alegria, uma satisfação de estar vivo que me contagiou. Esqueci problemas instantaneamente. Eu que esperava um estado terminal fiquei passada com meus pensamentos pessimistas. Como pode ter tanta vida dentro da expectativa de alguém. Ou é contrário? Não. Não é! É da esperança que saem os bons suspiros.
Revigorada, enquanto saía de sua casa vi um velho conhecido nosso. Vizinho de meu amigo, ele passou direto. Não sabe da missa a metade. Poucos sabem. Não é caso de alardear o que já vai passar. E eu sei bem dessa vez. Sei porque aqueles incríveis 60 minutos me fizeram reativar a fé no intangível vento que construiu a humanidade.
Leia ouvindo
Publicado por: Letícia Santanna em: 23 de Junho de 2011
Estar solta e eira me faz refletir sobre o valor dos dias. Sim os dias… Cada um deles… Cada 1 das 24 horas.
Trabalhamos e estudamos de segunda à sexta desejando que esta chegue pra sermos mais nós mesmos. O desejo de viver só chega no final da semana, bem perto das pendências da seguinte… Das preocupações matutinas dos trabalhos que ainda não fiz, das matérias que não estudei , dos planos que ainda não tracei. Enquanto vivia assim, meu mundo caminhava a passos largos. E isso, que parece ser tão positivo pra tantos, degradava-me. Pular a segunda-feira, amaldiçoando-a por seu desnível do domingo é um pecado. Há de se viver gota a gota! Tenho sido um tanto quanto irresponsável, mas isso tem um propósito. Se aceito ir ao cinema numa quinta de prova, ou madrugar no Corujão da poesia na manhã anterior a um trabalho é porque tenho pressa e fome de viver diariamente, intensamente.
Não quero escrever uma história anual usando 1/3 dos 365 dias que me deram pra ser feliz.
Vou me lambuzar de alegria todo dia!
Publicado por: Letícia Santanna em: 28 de Maio de 2011

Dia desses um aluno me perguntou por que não uso maquiagem… Disse que uma “negona de lábios cor de rosa” precisa de um blush pra se destacar…
Achei graça, fingi que ignorei, mas quando passei por um stand na Uruguaiana com olhos consumistas fui imediatamente parada por uma vendedora perspicaz que deve ser mãe do meu aluno. Comprei tudo que nunca tinha usado: sombra, batom, brilho, blush, lápis, rímel, base e o dos piores: corretivo.
Sempre tive aversão à maquiagem, mas achei que tava na hora de falsear a tristeza aparente dessa fase meio sem destino e passei tudo no cartão. O preço do fingimento é caro… Mas é mais cara ainda a sensação de estar se enganando.
Minhas olheiras nunca foram tão profundas como agora… Por causa do excesso de lápis e rímel. Então, logicamente, passo a usar mais base e corretivo… – Ai que nome horrível! Estaríamos aqui corrigindo a péssima escolha divina? – Enfim, além dessa cadeia maquilar macabra que nos faz sempre depender de um novo produto a ser lançado, há todo um tom crítico em mim sobre esse culto ao disfarce.
Não quero esconder meus sentimentos. Que se dane quem repara que minha noite foi mal dormida, que se danem meus pés de galinha, meus cravos por nascer, minhas espinhas insistentes… Que se dane a falsidade, a mesquinharia, esse pó opaco, o brilho que não é saliva de mulher que sedenta umedece os próprios lábios quando tem vontade de viver.
A melhor maquiagem é ser feliz e não há demaquilante que a extraia.
Afinal, só tem rugas quem sorri…
Contém 1gr. Uma única grama de alegria. Não me é suficiente…
Publicado por: Letícia Santanna em: 6 de Maio de 2011
inCerteza
Sempre confundi o prefixo in. Ao invés de indicar a negativa, sempre vi o mesmo como o inside, interior, do lado de dentro do que é citado depois. Hoje sei que a derivação latina vai ser diferente da anglo saxônica e assim por diante, mas vou fingir não saber. Logo, as relações internacionais deveriam ser as que ocorrem dentro das nações. A individualidade é o ser que está dentro que alguém que é dual, bipolar. As pessoas indomáveis são as que domam a si mesmas dentro de si. E essa incerteza não é faz falta de clareza. Mas sim uma inconsciência muito forte de que não vai mesmo dar certo. É triste de assumir, mas é uma inverdade, ou seja, tá dentro da minha verdade como ser humano incapaz de ao menos tentar assumir o que sou.
Publicado por: Letícia Santanna em: 14 de Abril de 2011
“Bia, Léo, Rô, Tatá, Beta… Imaginamos seus rostos felizes no pátio brincando, estampando no olhar e no sorriso aquele sonho de ser o que já são: crianças… Eram”
Nós, alunos do curso de Relações Internacionais da Universidade Estácio de Sá, elaboramos este manifesto em solidariedade aos familiares das crianças vítimas da barbárie na Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro do Realengo, Rio de Janeiro, Brasil, ocorrida no dia 07 de abril de 2011.
como estudantes interessados na relação que existe entre o brasil e nações no contexto internacional, não poderíamos ficar calados diante do que se deu em nossa cidade, e da semelhança disso com outros episódios ocorridos em outros países do mundo.
terá sido isto um ato isolado de desespero de um jovem? Ou simplesmente um ato terrorista premeditado? Pouco se sabe sobre o perfil do assassino. O que pensamos é que tais atos precisam ser de uma vez por todas eliminados desta cidade, e de todo e qualquer lugar. Não queremos ser Columbine. Aliás, não queremos que haja tiros em Columbine.
Sendo um ato fundamentalista ou não, este episódio serve como novo alerta a educadores, pais e população em geral dos riscos e armadilhas de ideologias fundamentalistas, onde o ódio e o preconceito são aceitos e valorizados, sejam eles referentes À raça, cor, etnia, procedência nacional, religião, gênero, orientação sexual, posição econômica e social.
Fica aqui o nosso repúdio a toda e qualquer resolução truculenta e violenta de controvérsias; a toda e qualquer forma de terrorismo, seja ele o terrorismo de Estado, O terrorismo ideológico ou individual, como se tornou comum na cena internacional do pós-Guerra Fria.
A preocupação com a qualidade da educação e da infraestrutura escolar no Brasil não é nova. Sabemos que este novo fato pode suscitar várias discussões e medidas importantes precisam e deverão ser tomadas.
Não há como conviver com a idéia de que um pai deixa seu filho em um local onde deve receber bons tratamentos e educação e seja informado de que lá, ele perdeu a vida. Baseados na necessidade de garantia dos direitos naturais inalienáveis ao gênero humano, algo que analisamos e investigamos em nosso campo de estudos, que nos solidarizamos com familiares e amigos de todas as vítimas.
Reafirmamos neste manifesto a nossa fé na vida, no diálogo, na democracia e na existência de um mundo menos assimétrico em todos os sentidos e a crença em uma autodeterminação dos povos que contribua para o reforço da própria democracia, para a paz e a estabilidade no Brasil e no mundo.
Na cidade do Rio de Janeiro,
Alunos do curso de Relações Internacionais da Universidade Estácio de Sá
Redatores:
Beatriz Barreto
Gabriel Buzzi
Josafá Lopes de França
Letícia Oliveira de Santanna
Rafael Lima Dantas
Publicado por: Letícia Santanna em: 27 de Fevereiro de 2011

Publicado por: Letícia Santanna em: 25 de Fevereiro de 2011

Sempre me lembro da primeira vez em que assisti ao filme “O diabo veste Prada”. Além de usá-lo como narratória da vida de workaholic que eu já quis ter e que hoje dia desprezo, refaço constantemente uma cena na minha cabeça. Sei que o filme é meio bobo, clichê e tudo mais, mas gosto da reflexão que tive depois de assisti-lo. E compartilho:
Tem um trecho em que a atriz principal começa a andar por NY com seu chefe carequinha e ele conta a ela que sua vida amorosa não vai nada bem. Mas que, justamente por isso, a profissional ia muito bem, obrigada. Ele expunha ali um quadro genérico e real. Muita gente acredita que uma Força Suprema, Deus, o diabo que não veste Prada ou a intervenção macumbódrica da vizinha invejosa podem influenciar esse duelo entre a paz pessoal e a “profissa”. Confesso que eu mesma já pensei se isso não seria caso de dedo divino, mas hoje encaro essa situação de outra forma.
Eu mesma vivo esse conflito e sei o que é uma parte da vida galgar novos escalões enquanto a outra parece não subir um degrau. Mas isso é simplesmente uma questão de foco.
E quem controla o foco?
Agarramos nossos amores com a mesma garra de um emprego novo?
Porque sim, é ridículo comparar relacionamentos tão opostos, mas acaba que é isso o que a gente faz o tempo inteiro. É como se houvesse um RH do amor, onde as melhores oportunidades são aquelas que pagam mais (com ou sem trocadilho), te deixam gozar de um bom tempo livre (trocadilho?) e se apresentam cheias de benefícios.
Esse novo amor em tempos de cólera é fadado ao fracasso por ter suas raízes fincadas num “Mercado” que não é o seu.
A questão é: como fazer com que um relacionamento continue a se desenvolver exponencialmente bem apresentando resultados favoráveis e lucrativos?
- Não dá! O amor não vive de números e de suas probabilidades…O amor é feito de promessas do intangível. O amor é feito de possibilidades!
Mas se a gente parar pra dedicar ao outro a mesma parcela de atenção que é dada ao chefe, à rotina da labuta e aos pesados relatórios (DR’s), talvez consiga equilibrar a vida e parar de culpar terceiros pelo disparate paradoxal que chamo de in/sucesso parcial.
Agora, se você não anda bem em nenhuma das vidas, cuidado! Aí sim pode ter algo a ver com Deus… No resto, o controle do foco está nas nossas mãos!